"...Agora num dia em que eu choro, eu tô chovendo muito mais do que lá fora. Lá fora é só água caindo, enquanto aqui dentro cai a chuva."
Não pela chuva descompassada e infeliz que cai por este dia inteiro, não porque eu quase não vejo e falo com minha mãe e sempre sinto uma falta danada dela, não porque é deprimente voltar pra casa, ou porque eu me lembro que eu não tenho mais casa, rsrsr. Talvez pela falta de grana, pelo quarto bagunçado, pela distância de amigos, pelos noticiários e pelos programas que passam na TV e que não têm nenhuma responsabilidade educacional, social, humana. Não, não pela saudade do que ainda não vivi (que atormenta), e também não porque você não esta aqui.
A tristeza se faz vigente porque tudo esta acontecendo para que eu desista, e eu que sempre fui tão forte e disposta, hoje não me reconheço. Virar gente grande dói, e eu tenho medo só de lembrar que ainda não cresci nada, rsrsrs. É, vai inventar moda, como diz uma irmã minha.
Agora escutando Someone like you - Adele, sentindo um frio de inverno em pleno verão, com a sensação de Crime e Castigo e transtornada por ter assistido O Curioso Caso de Benjamin Button lembro do meu pai sentado lá encima na área e olhando um céu maravilhosamente lindo de azul e cor-de-abóbora, a tarde indo embora, o bairro sem energia e meu pai esperando a energia voltar, sentado e olhando em silêncio contemplativo o céu, só aparecia sua silhueta, seus olhos mirando o longe. Aquela imagem nunca vai sair de mim: meu pai em silêncio olhando o horizonte, parecia estar em paz. E nada foi mais bonito que aquilo.
Preciso dormir, porque amanhã preciso viver.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
"quantas belezas deixadas nos cantos da vida..."
Esperar pelas belezas da vida, rs, que droga porque sempre esperamos elas, que ás vezes nem tão belas são. É que esta sendo tão difícil encontrá-las que melhor que procurar é esperar. Mas não fico mais envergonhada, ou talvez entediada, de confessar que as espero, espero sim, pelas emoções belas, pelas situações belas, pela chuva incoveniente e ainda bela, pela bronca chata e bela de uma mãe chata e assim bela que quer meu bem, pela recepção bela do meu belo peixe Jérome ao chegar no meu belo quarto (estranhamente belo), pelas janelas abertas e belas assim, pelas comidas e pessoas comíveis belas, pelo belo, espero porque gosto de estar rodeada de beleza. E tenho que dizer (antes que digam que segrego) que beleza é sempre algo a ser visto na individualidade, o que é bonito pra mim pode não ser pra você, e eu sempre vejo coisas bonitas "á minha moda", do meu jeito bonito de ser.
É que é tão melhor ser bonito, e estar envolto de belezas, seja elas quais forem. Eu quero encontrá-las, sentí-las e produzí-las, não é tarefa fácil, uma vez que o conceito equívocado de belezura na vida de toda essa gente de hoje (e alguns de antes também) se baseia no esquálido, no fútil, no novo lançamento, na tv idiota de cada dia, e na escova progressista ops progressiva dos cabelos antes cacheados e maravilhosamente belos das antigas meninas belas.
Até parece que vou ousar dizer que acho o cheiro de terra molhada incrivelmente bonito, ou que é lindo quando aqueles peixinhos que com a onda vem pra perto da areia passeiam desentendidos pelos nossos pés num esforço incondicional e atordoado de voltar pro mar, ou ainda sobre a beleza do tapão nas costas, braços, cara da criança de uma mãe loucamente angustiada e histérica pela quase perda de seu filho que iria por pouco ser morto, ferido pelo carro na rua, e que ela não estava prestando atenção, é , eu acho essas coisas todas bonitas.
Porque a vida é muito frágil e essas coisinhas são tão mais interessantes. Acho que as belezas estão se perdendo mesmo nas suas individualidades, estão sendo "deixadas nos cantos da vida" e as pessoas (coitadas) vão deixá-las pros museus como os animais extintos.
É que é tão melhor ser bonito, e estar envolto de belezas, seja elas quais forem. Eu quero encontrá-las, sentí-las e produzí-las, não é tarefa fácil, uma vez que o conceito equívocado de belezura na vida de toda essa gente de hoje (e alguns de antes também) se baseia no esquálido, no fútil, no novo lançamento, na tv idiota de cada dia, e na escova progressista ops progressiva dos cabelos antes cacheados e maravilhosamente belos das antigas meninas belas.
Até parece que vou ousar dizer que acho o cheiro de terra molhada incrivelmente bonito, ou que é lindo quando aqueles peixinhos que com a onda vem pra perto da areia passeiam desentendidos pelos nossos pés num esforço incondicional e atordoado de voltar pro mar, ou ainda sobre a beleza do tapão nas costas, braços, cara da criança de uma mãe loucamente angustiada e histérica pela quase perda de seu filho que iria por pouco ser morto, ferido pelo carro na rua, e que ela não estava prestando atenção, é , eu acho essas coisas todas bonitas.
Porque a vida é muito frágil e essas coisinhas são tão mais interessantes. Acho que as belezas estão se perdendo mesmo nas suas individualidades, estão sendo "deixadas nos cantos da vida" e as pessoas (coitadas) vão deixá-las pros museus como os animais extintos.
Assinar:
Postagens (Atom)