"...Agora num dia em que eu choro, eu tô chovendo muito mais do que lá fora. Lá fora é só água caindo, enquanto aqui dentro cai a chuva."
Não pela chuva descompassada e infeliz que cai por este dia inteiro, não porque eu quase não vejo e falo com minha mãe e sempre sinto uma falta danada dela, não porque é deprimente voltar pra casa, ou porque eu me lembro que eu não tenho mais casa, rsrsr. Talvez pela falta de grana, pelo quarto bagunçado, pela distância de amigos, pelos noticiários e pelos programas que passam na TV e que não têm nenhuma responsabilidade educacional, social, humana. Não, não pela saudade do que ainda não vivi (que atormenta), e também não porque você não esta aqui.
A tristeza se faz vigente porque tudo esta acontecendo para que eu desista, e eu que sempre fui tão forte e disposta, hoje não me reconheço. Virar gente grande dói, e eu tenho medo só de lembrar que ainda não cresci nada, rsrsrs. É, vai inventar moda, como diz uma irmã minha.
Agora escutando Someone like you - Adele, sentindo um frio de inverno em pleno verão, com a sensação de Crime e Castigo e transtornada por ter assistido O Curioso Caso de Benjamin Button lembro do meu pai sentado lá encima na área e olhando um céu maravilhosamente lindo de azul e cor-de-abóbora, a tarde indo embora, o bairro sem energia e meu pai esperando a energia voltar, sentado e olhando em silêncio contemplativo o céu, só aparecia sua silhueta, seus olhos mirando o longe. Aquela imagem nunca vai sair de mim: meu pai em silêncio olhando o horizonte, parecia estar em paz. E nada foi mais bonito que aquilo.
Preciso dormir, porque amanhã preciso viver.
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